Insegurança na construção civil: “Top Ten” Estudo sobre desvios de Segurança em Obras


A APS Associados apresenta a atualização do seu estudo sobre desvios de segurança em grandes obras que abrangeram atividades de construção civil, montagem eletro mecânica e comissionamento. As informações foram obtidas nas obras onde a APS atuou como Gerenciadora de SSMA, no ciclo de vida do empreendimento de ampliação, expansão ou construção de novas unidades.

Esse produto tem como base o banco de dados da APS utilizado para aplicação de ferramentas de prevenção que contempla registros de oportunidades de melhorias identificadas nos programas de observação do trabalho seguro, entre outras auditorias de segurança, inspeções planejadas, rondas de segurança, "blitz" de segurança e programas de observação comportamental.

O processo de identificação, verificação e bloqueio para evitar a materialização do risco teve como base a observação de quatro elementos básicos:

O estudo foi realizado com base na observação de 95 mil situações de risco verificadas em sete das grandes obras em que a APS atuou como Gerenciadora de SSMA, em diferentes pontos do País e relativas à gestão de Segurança, Saúde e Meio Ambiente, mostrando que o maior índice de desvios se refere ao risco de quedas de pessoas e materiais (destaque para os trabalhos em altura). Estas situações se devem a falhas na construção ou utilização de dispositivos para proteção contra quedas de pessoas, materiais e pequenos equipamentos ou utilização inapropriada. Foram constatadas 22.319 situações de desvios dos padrões recomendados, o que representou 23% do total de situações analisadas.


Figura 1. Visão da materialização de eventos indesejáveis

O levantamento também mostrou que as falhas relativas à organização e limpeza dos locais de trabalho responderam por 19% das situações de risco potencial, ocupando o segundo lugar entre os maiores desvios, enquanto os problemas relativos à falta ou descumprimento de procedimentos representaram 13%, o terceiro maior índice. Estas situações foram identificadas através do uso de ferramentas de prevenção apropriadas, o que permitiu a ação rápida de bloqueio, atuando de forma preventiva e eliminando a possibilidade de ocorrência da falha.

Os 95.492 desvios apontados (tabela TOP TEN, abaixo) foram registrados em obras cuja duração média foi de dois anos e meio, envolvendo a média de 12.650 trabalhadores no pico de obra, perfazendo um total de 113.846.038 HHT (Homens Hora Trabalhadas). Três destas obras ainda estão ativas.

O conteúdo foi analisado e classificado por tipo de desvio e organizado em tabela por ordem decrescente de maior incidência do desvio e exposição, conforme apresentado a seguir:


Dados atualizados – Dezembro de 2010
Figura 2. Dados registrados em obras de grande porte, que totalizam 95.492 desvios, agrupados em relação aos riscos típicos predominantes, denominados "TopTen de desvios de segurança":

 


Figura 3. Distribuição porcentual de desvios de segurança

Destaca-se que 66% dos desvios de segurança observados concentram-se nos quatro primeiros elementos.

Não foi considerada no estudo a questão relativa ao potencial de gravidade de conseqüências, dos eventos relatados.

Destaca-se que pela característica dinâmica dos riscos de obras, as situações de desvios encontrados, são solucionados de imediato, bloqueando a exposição ao risco.

O estudo também não está considerando a energia aplicada nos programas por se tratarem de ferramentas diferenciadas em cada empresa e aplicadas com intensidades diferentes, de acordo com os programas estabelecidos e o modelo de gestão empregado.

A dimensão do risco depende de diversos aspectos: o comportamento das pessoas envolvidas; se houve um planejamento prévio para eliminar essas ocorrências; se as praticas propostas pelo planejamento são cumpridas e se o ambiente favorece ou não a exposição ao risco. No conjunto, cada um desses aspectos interfere no outro, potencializando as situações de risco.

A estratificação dos desvios, conforme exposto, gera subsídios para a elaboração de um Plano de Ação mais próximo da realidade, possibilitando a priorização e a adoção de ações mais eficazes.

O levantamento realizado confirma situações recorrentes em todas as obras e ajudam a explicar, em boa parte, porque o número de acidentes nas obras de construção civil é tão elevado.

Observa-se que o desempenho de segurança em obras será tão melhor quanto à abrangência do Sistema de Gestão desenhado e implantado, assim como pela utilização de ferramentas eficazes na identificação dos desvios de segurança, caracterizando a efetiva prevenção, pois são aplicadas durante a execução dos trabalhos, possibilitando não somente a identificação dos riscos em potencial, mas também o imediato bloqueio da ação ou condição indesejada.

"A falta de planejamento adequado e de um sistema eficaz de gestão em segurança acaba se materializando em eventos indesejáveis nas obras, como incidentes, acidentes, alto índice de perdas e baixa produtividade, se não forem tomadas as medidas adequadas".

Na busca de referenciais comparativos sobre esta matéria, foi utilizada uma publicação da OSHA (Occupational Safety and Health Administration) - USA que indica as dez violações predominantes no ano de 2010, reportadas pelos membros associados da organização.


Figura 4.
OSHA Reports on Top Ten Violations – 2010

Embora os dados divulgados pela OSHA não se refiram exclusivamente à construção civil e sim a todas as atividades dos associados, observa-se uma relação muito forte com os desvios registrados pela APS.

Observa-se que os elementos 1,2 e 5, que equivalem ao nosso elemento 1, é responsável por 45% dos desvios de segurança observados nas atividades.

Recomendações:

Destacam-se recomendações essenciais para que o desempenho em segurança nos empreendimentos, no ciclo de construção, seja efetivamente positivo:

1. Ter o reconhecimento prévio dos riscos de segurança que serão caracterizados pelas atividades definidas no projeto. Traçar a curva de riscos da obra na etapa do desenvolvimento do cronograma de obra.

2. Antecipar a implementação da política de segurança definida para o empreendimento, dando total conhecimento aos participantes do modelo de gestão, práticas e padrões de trabalho a serem seguidos, para no mínimo promover a formação de um clima de segurança, uma vez que dificilmente será estabelecida uma cultura de segurança.

3. Identificar as práticas e padrões de trabalho apropriados aos riscos, priorizando o conceito de que segurança é parte integrante do trabalho, não podendo ser tratada como uma questão paralela.

4. Assegurar a implantação de ferramentas de observação do trabalho, que possibilitem abrangência aos quatro elementos da manifestação de eventos indesejáveis; equipamento/materiais, ambiente, sistemas e comportamento.

5. Estabelecer a energia a ser aplicada nos programas utilizando como referência os dados estatísticos dos desvios de segurança.

6. Fazer uma gestão de informações para que o banco de dados de registros seja efetivamente transformado em informações, aprendizado e valor.

APS Associados
Diretoria de Planejamento, Negócios e Produtos
Matéria disponível no site – www.apsbr.com.br

Divulgação autorizada desde que citada a fonte.

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7 Comentário(s)  comentario

"Excelente Matéria Pessoal! Essa iniciativa de vocês certamente será de grande contribuição para todos nós profissionais de SSMA que tem em seus processos atividades de construção civil. Parabens! André Nascimento (Votorantim Metais)" André Nascimento

"Dentro da competência PCMAT que estou ministrando neste mês aos alunos do curso Técnico de Segurança do Trabalho do SENAC, muitos dos assuntos abordados neste trabalho, foram discutidos em sala de aula. Fico feliz em ver publicado um trabalho tão importante como este, ainda mais por ter trabalhado nesta conceituada empresa, convivendo com profissionais do mais alto nível, que em muito contribuem para a nossa nobre profissão. Ótimo pessoal! Claudemir dos Santos (SENAC São Paulo)." Claudemir dos Santos

"Extremamente enriquecedor e esclarecedor para área SMS, sendo muito útil para mim e demais funcionários da minha empresa. (Jorge Antonio Espinosa/Eng. Seg. Trabalho - Consorcio Passarelli / Gel / Petrobras). " Jorge Antonio Espinosa

"EMPRESA DE GRANDE CONFIABILIDADE E RESPONSABILIDADE!!!" ANTONIO JOSE ROSA

"A ausência de gestores nas obras deixa muito claro como a segurança nos trabalhos em altura e demais da construção civil fica vulnerável. A metodologia de organização do trabalho vai muito de forma simplista e não educa de forma a fazer com o crescimento ode consciencia organizativa. Os encarregados não são gestores são feitores, não administra apenas executam as tarefas. Sou assistente de pericias trabalhistas e a cada dia mais as empresas são penalizads por isso. e muitas vezes os TST's estão desatualizados de certas legislações. Parabéns APS pelas matérias" Daniel Rocha Costa

"Excelente informativo para a nossa área de SSMA, assuntos relacionados com o que vivemos em nosso dia a dia, importantíssima ferramenta para a Prevenção, parabéns!!!" Janice Peixoto

"a compilação dos desvios encontrados nas obras produz informação direcionada a cada tipo de obra e consequentemente ações corretivas e preventivas, estabelecendo a gestão de sms." KARDEC X FLORENCIO. TST REPAR
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